Wednesday, February 23, 2005

A Era dos Mortais

Dizem as lendas que Krynn era um mundo vazio e seco, até que os Deuses o tomaram para si, dando início à existência. A dualidade entre o caos e a ordem, o bem e o mal, entre a luz e a escuridão sempre regeu as ações dos Deuses, e isso se reflete na própria natureza do nosso mundo.


Eles criaram as raças sencientes e permitiram seu domínio no mundo: o primeiro grande reinado foi o dos Elfos, mas este caiu rapidamente, forçando todos os sobreviventes a se refugiarem nas florestas mais profundas, pois seus irmãos, os Ogros, sucumbiram à sedução do mal. Durante vários milênios sua tirânica civilização escravizou os humanos, anões e quaisquer outras raças que se opusessem ao poder da magia que eles dominavam.

Com o passar do tempo a natureza física dos Ogros passou a retratar a feiura e malícia que existia em seus espíritos e esta bela raça se degenerou em monstros odiosos. Derrotados por suas próprias armas, o império Ógrico caiu ante às rebeliões dos escravos humanos, que baniram seus opressores e instituiram a paz no mundo por muito anos.
E vieram os dragões.

Criaturas malévolas, gigantescos répteis alados, criados pela Deusas maligna Takhisis, que desejava impor sua própria visão ao mundo e tomá-lo para si. Cuspindo fogo, gelo e odiosas biles venenosas, os dragões quase devastaram a terra e escravizaram todas os povos livres com o medo que inspiravam nos frágeis corações dos mortais.

Então os Deuses da bondade enviaram dragões prateados e dourados, para se tornarem inimigos ferrenhos dos dragões cromáticos de Takhisis. Mas sozinhos eles não podiam lutar, pois o destino de Krynn também dependia da força de vontade de seus próprios habitantes.

Um jovem guerreiro, chamado Huma, se apaixonou por uma bela elfa, apenas para descobrir que na verdade ela era uma dragoa prateada em forma mundana. Juntos eles partiram em combate contra as forças do mal, portando uma arma agraciada pelo próprio Deus Paladine, a temível Lança do Dragão. Huma e Coração pereceram gloriosamente em combate, sacrificando suas vidas para derrubar a própria Takhisis.

Ao longo de mil anos vários reinos e impérios surgiram, e a paz que deveria ter sido mantida pelo sacrifício dos heróis foi apenas adiada... O grande continente civilizado de Ansalon sofreu com muito derramento de sangue, até que o Cataclisma se abateu sobre o mundo, deformando a terra e afastando os Deuses dos povos de Krynn. Porém o mal não poderia ficar parado apenas observando e Takhisis começou a planejar seu retorno triunfante. Foi aí que surgiram os Draco-Lordes, acompanhados de temíveis exércitos compostos por soldados draconianos, aberrações humanoides criadas por magia para terem habilidades de dragões e que pudesse ser seus peões nos campos de batalha. Eles começaram a invadir e subjugar as terras livres... E teriam conseguido.

Um pequeno grupo de heróis, liderados por Tanis Meio-Elfo, insurgiu contra o poder dos Draco-Lordes e iniciou aquela que seria conhecida como a Guerra da Lança, depois que a princesa-élfica Laurana, a Dourada, conseguiu forjar novas Lanças do Dragão e com elas equipou os exércitos dos cavalheiros de Solamnia. A mulher das planícies, Goldmoon, trouxe novamente a fé antiga nos Deuses para Ansalon e se tornou sacerdotisa de Mishakal, a Deusa da cura. Por estes e vários outros feitos, eles ficaram conhecidos como os Heróis da Lança. Muita dor e sofrimento se passou, até que finalmente o retorno de Takhisis ao mundo foi impedido e seus exércitos derrotados. Mais uma vez, os deuses abandonaram o mundo, mas desta vez para levar Takhisis à sua prisão em outro plano de existência.

Os mortais novamente tiveram que aprender a viver sem os Deuses e novos poderes surgiram no mundo. Anos após o final da Guerra da Lança, porém, os Irda, ogros da antiguidade que não foram corrompidos pelo mal, tolamente liberaram a força conhecida como Caos no mundo e nada mais foi como era conhecido. Com sua magia bruta e selvagem, Caos mudou a face dos continentes e ilhas, o que seria conhecido como o Segundo Cataclisma, e apenas após uma árdua e longa batalha com os últimos Heróis da Lança vivos e seus filhos ele seria derrotado e banido para sempre.

Ainda sem a magia arcana ou dos Deuses, iniciou-se a Era dos Mortais em Krynn. Todas as forças militares, tanto dos honrados Cavalheiros de Solamnia quanto dos odiosos Cavalheiros de Takhisis, agora conhecidos como Cavalheiros de Neraka, estavam despedaçadas e divididas. Sem defesas, os humanos, elfos e anões sucumbiram à nova vinda de Dragões, estes os mais terríveis já vistos. Eles iniciaram uma batalha entre si, dividindo as terras do continente de Ansalon de acordo com seus próprios interesses.

Até que chegou o dia no qual Mina, uma jovem guerreira, demonstrou possuir poderes divinos e passou a profetizar a palavra de uma Deusa Única, que viera para substituir os Deuses Antigos. As forças armadas da Deusa Única e os milagres de Mina ajudaram a derrotar vários dragões que oprimiam os povos livres, mas na verdade isso era apenas uma fachada, para esconder a verdadeira face desta entidade: Takhisis, liberta de sua prisão dimensional.

Seu plano foi descoberto por poucos, e igualmente frustrado. Quando os Deuses descobriram que Takhisis tinha roubado e escondido Krynn deles, Paladine veio à terra e abriu mão de sua divindade e imortalidade, para manter o equilíbrio da ordem universal, de forma que Takhisis também se tornasse uma mortal. Então a Rainha Negra foi assassinada por Mina, que estava desiludida e enervada, por ter sido usada como mero peão num plano nefasto e superior.

Com o retorno dos Deuses ao mundo, a magia divina e arcana também voltaram a funcionar normalmente. Mas tantas guerras e calamidades deixaram uma cicatriz profunda nos mortais e eles agora olham para o horizonte, em busca de seus próprios destinos.

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